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O Que Quase Ninguém Sabe Sobre o 'Telefone dos Mortos' de Edison

Thomas Edison em seu laboratório, com um olhar pensativo, cercado por equipamentos elétricos antigos, em tons de sépia e ouro

Foto: Sean O'Bryan via Pexels

Por Viviana Buon · Criadora do Método LUME® · Terapeuta

Imagine o ano de 1920. O mundo ainda se recuperava dos horrores da Primeira Guerra Mundial, e a dor da perda permeava milhões de lares. Nesse cenário de luto e busca por respostas, a espiritualidade ganhava força, e muitas pessoas se voltavam para sessões espíritas e médiuns na esperança de um último contato. Foi então que Thomas Edison, o "Mago de Menlo Park", o gênio por trás da lâmpada, do fonógrafo e de tantas outras invenções que transformaram o cotidiano, fez uma declaração que ecoaria por décadas.

Ele não falava de eletricidade ou de novos motores. Falava de algo que muitos consideravam tabu, ou no mínimo, charlatanismo. Edison anunciou que estava trabalhando em um aparelho para ver se as "personalidades que deixaram esta Terra poderiam se comunicar conosco". O mundo parou para ouvir. Um dos maiores inventores da história estava tentando construir um telefone para falar com os mortos. Mas seria essa uma de suas grandiosas visões científicas, ou apenas uma das muitas brincadeiras de um inventor excêntrico?

O que realmente levou Thomas Edison a buscar uma conexão com o além, e por que a verdade por trás de seu "telefone dos mortos" permaneceu escondida por quase um século?

A Grande Entrevista de 1920: Ciência ou Espiritualidade?

Em outubro de 1920, a revista *The American Magazine* publicou uma entrevista bombástica com Thomas Edison, conduzida por B. C. Forbes. Nela, Edison, então com 73 anos, revelou seu projeto mais insólito. "Tenho trabalhado há algum tempo na construção de um aparelho para ver se é possível para personalidades que deixaram esta Terra se comunicar conosco", declarou o inventor. Mas ele foi categórico: essa comunicação não ocorreria por "meios ocultos, mistificadores, misteriosos ou estranhos, como os empregados pelos chamados médiuns, mas por métodos científicos".

A notícia se espalhou como um raio. A ideia de que um cientista de seu calibre pudesse estar envolvido em algo tão etéreo quanto a comunicação post-mortem gerou um burburinho sem precedentes. Jornais de todo o mundo publicaram artigos e caricaturas que zombavam do "Mago" por querer ligar para o além. No ano seguinte, a revista *Scientific American* repercutiu o tema, e Edison novamente abordou o assunto, reafirmando sua crença de que, se a personalidade sobrevive à morte, faria sentido que os falecidos quisessem se comunicar com os que ficaram, e que um instrumento delicado o suficiente poderia registrar essa interação.

A Teoria de Edison: Partículas de Vida e o Além

Foto: Brett Sayles via Pexels

A Teoria de Edison: Partículas de Vida e o Além

A base da ideia de Edison estava em sua própria concepção sobre a vida e a morte. Ele acreditava que todas as entidades vivas eram compostas por "miríades e miríades de indivíduos infinitesimalmente pequenos", que ele chamava de "unidades de vida" ou "enxames" de energia, e que essas unidades eram indestrutíveis. Quando uma pessoa morria, esses "enxames" se deslocariam para outro ambiente ou "éter", mantendo a memória, o intelecto e a personalidade do indivíduo.

Se a personalidade existia após a morte, raciocinou Edison, ela deveria ser capaz de afetar o mundo físico, mesmo que em um nível microscópico. O aparelho que ele imaginava seria uma espécie de "válvula" ou célula fotoelétrica, tão sensível que poderia detectar a menor vibração ou a passagem de uma partícula sutil, transformando-a em um sinal elétrico mensurável. Era, em sua essência, uma tentativa de aplicar a lógica da física à metafísica, buscando uma prova tangível para o invisível.

A Retratação de 1926: Uma Piada de Mau Gosto?

Para muitos, a história do "telefone dos mortos" de Edison parecia ter um ponto final em 12 de outubro de 1926. Em uma entrevista ao *The New York Times*, Edison declarou que sua afirmação anterior à *American Magazine* havia sido "apenas uma brincadeira". Ele alegou que não tinha nada de interessante para contar a B. C. Forbes naquele dia frio e, para não desapontá-lo, inventou a história da máquina de comunicação com os espíritos. Essa retratação pública jogou um balde de água fria nos entusiastas e reforçou a ideia de que o "Mago" havia pregado uma peça na imprensa e no público.

Parecia que a ideia de um gênio se dedicando a algo tão esotérico era simplesmente boa demais para ser verdade, ou talvez, embaraçosa demais para ser mantida publicamente.

O Capítulo Perdido: A Verdade Vinda da França

Contudo, a história não terminaria ali. Anos após a morte de Edison, em 18 de outubro de 1931, um detalhe importante viria à tona. Em 1948, foi publicada uma edição em inglês de seu diário, intitulada "Diary and Sundry Observations of Thomas Alva Edison". Para a surpresa de muitos, um capítulo inteiro dedicado às suas teorias sobre o mundo espiritual e a possibilidade de contatá-lo simplesmente não estava lá.

O mistério só seria desvendado em 2015, quando o jornalista francês Philippe Baudouin descobriu uma rara edição de 1949 da tradução francesa desse mesmo diário, intitulada "Le Journal et Autres Écrits" (O Diário e Outros Escritos). Lá estava ele: o "capítulo perdido". Este capítulo revelava que, apesar da retratação pública, Edison continuou a desenvolver suas teorias e planos para o "necrofone" ou "telefone dos espíritos" em detalhes ao longo dos anos 1920. Essa descoberta póstuma sugeriu que o interesse de Edison era muito mais sério do que ele quis admitir publicamente.

"Tenho trabalhado há algum tempo na construção de um aparelho para ver se é possível para personalidades que deixaram esta Terra se comunicar conosco." — Thomas Edison, em entrevista à B. C. Forbes, The American Magazine, Outubro de 1920
A Máquina Que Nunca Apareceu

Foto: Jenna Hamra via Pexels

A Máquina Que Nunca Apareceu

Apesar de seu aparente interesse e dos relatos sobre experimentos secretos, como um alegado encontro em seu laboratório no inverno de 1920, descrito pela revista *Modern Mechanix* em 1933, onde se tentava detectar a passagem de espíritos através de um feixe de luz sobre uma célula fotoelétrica, nenhum protótipo funcional ou planta detalhada do "telefone dos mortos" jamais foi encontrado.

Thomas Edison, o homem das mil e noventa e três patentes, não deixou um legado tangível dessa sua busca pelo invisível. Seus arquivos, vastíssimos, não continham um único diagrama que pudesse provar a existência ou o desenvolvimento avançado dessa invenção fantasma.

Ano Evento Relacionado ao "Telefone dos Mortos" de Edison
1920 Entrevista à *The American Magazine*, onde Edison anuncia seu trabalho em um aparelho de comunicação com o além.
1920 Alegado experimento secreto no laboratório de Edison, com uma célula fotoelétrica e feixe de luz, conforme *Modern Mechanix* em 1933.
1926 Edison declara ao *The New York Times* que a ideia era "apenas uma brincadeira".
1931 Thomas Edison falece, aos 84 anos, sem deixar protótipos conhecidos do aparelho.
1949 Publicação da tradução francesa do diário de Edison, incluindo um capítulo sobre seu "necrofone", ausente na edição inglesa.
2015 Jornalista Philippe Baudouin descobre a edição francesa de 1949, revelando a continuidade do interesse de Edison.

Edison e o Invisível: Um Gênio à Margem do Conhecido

A história do "telefone dos mortos" de Thomas Edison nos oferece um vislumbre fascinante de um dos maiores inventores da humanidade, um homem que, apesar de seu profundo ceticismo em relação às práticas mediúnicas tradicionais, manteve uma mente aberta à possibilidade de comunicação com o pós-vida, desde que baseada em princípios científicos. Em uma era de descobertas elétricas e de rádio, onde o invisível se tornava mensurável pela ciência, a ideia de que a própria consciência pudesse ser uma forma de energia a ser detectada não era tão absurda para mentes como a dele.

Edison, como outros gênios de sua época que se debruçaram sobre os mistérios das energias sutis — você pode conhecer a história da Radiônica, por exemplo, neste artigo sobre máquinas que chocaram a ciência —, buscava um método, uma lógica, uma forma de trazer clareza ao que era considerado um mistério intransponível. Sua trajetória mostra que a curiosidade humana, mesmo quando desafia os limites do que é aceito, é um motor forte para a exploração do desconhecido.

Fontes e referencias

Tablang, Kristin. "Thomas Edison, B.C. Forbes And The Mystery Of The Spirit Phone." *Forbes*, 25 out. 2019. Disponível em: Forbes.com

Quinn, Emy. "Thomas Edison Wanted to Build a Device to Speak with the Dead." *Medium*, 14 mai. 2025. Disponível em: Medium.com

Pegg, Jessel. "Part Two: Thomas Edison: The Wizard of Menlo Park and His 'Spirit Phone'." *Medium*, 14 mai. 2017. Disponível em: Medium.com

Kallin, Daniel. "Dialing The Dead: Edison's Afterlife Experiments at Edison Birthplace." *Edison Birthplace Museum*, 14 abr. 2025. Disponível em: EdisonBirthplace.org

Baudouin, Philippe. “Le Journal et Autres Écrits” (1949). Tradução francesa do diário de Thomas Edison. Mencionada em diversos artigos, como "Dial-a-Ghost on Thomas Edison's Least Successful Invention: the Spirit Phone", *Atlas Obscura*, 18 out. 2016. Disponível em: AtlasObscura.com

Você sabia? A fascinação pela comunicação com o além no início do século XX era tão grande que outros inventores, como Guglielmo Marconi e Nikola Tesla, também relataram experiências com vozes misteriosas em suas ondas de rádio, levando-os a especular sobre contato com o mundo espiritual ou com seres de outros planetas.

Thomas Edison, em sua busca por um "telefone dos mortos", tentou, à sua maneira, lançar luz sobre o invisível. Embora o aparelho nunca tenha se materializado como uma de suas patentes mais célebres, a história nos mostra que a curiosidade sobre as energias sutis e o que existe além da nossa percepção comum sempre foi um tema para mentes brilhantes.

Essa é a mesma curiosidade que impulsiona a Radiestesia LUME® hoje. Não se trata de inventar um aparelho para ligar para o além, mas de usar instrumentos como o pêndulo para detectar e tratar desequilíbrios energéticos, emocionais, espirituais e físicos que nossos olhos não veem. Assim como Edison buscava um método científico, o Método LUME® oferece um passo a passo estruturado para que você possa entender e intervir nas energias sutis que moldam sua realidade, trazendo clareza e equilíbrio.

Sua busca pela verdade no invisível, assim como a de Edison, pode ser organizada e metódica. Não é sobre "dom", mas sobre técnica e clareza, para sentir, equilibrar e reprogramar, transformando o que antes parecia um mistério em um caminho para o bem-estar e a evolução pessoal.

Perguntas Frequentes sobre Thomas Edison e o "Telefone dos Mortos"

O que foi o "telefone dos mortos" de Thomas Edison?

Foi uma ideia de Thomas Edison, anunciada em 1920, de construir um aparelho científico para permitir a comunicação com "personalidades que deixaram esta Terra", detectando suas energias ou "unidades de vida" no pós-vida.

Thomas Edison realmente construiu um protótipo ou aparelho?

Não. Embora ele tenha expressado sério interesse e teorizado sobre como o aparelho funcionaria, não há registros de que um protótipo funcional ou planos detalhados para seu "telefone dos mortos" tenham sido construídos ou encontrados após sua morte.

Edison disse que era uma brincadeira. Isso é verdade?

Em 1926, Edison declarou publicamente ao *The New York Times* que a história era uma brincadeira. No entanto, um capítulo de seu diário, encontrado em uma tradução francesa de 1949, revelou que ele continuou a desenvolver suas teorias sobre o aparelho em particular, sugerindo que seu interesse era verdadeiro.

Qual era a teoria de Edison para a comunicação com os mortos?

Edison acreditava que a personalidade humana era composta por "unidades de vida" ou "enxames" de energia que eram indestrutíveis e continuavam a existir após a morte. Seu aparelho buscaria detectar e amplificar as vibrações ou a passagem dessas partículas sutis.

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